Artur Soares Dias é o sexto árbitro português a ser designado para um Europeu de futebol, no caso o Euro2020, quase uma década depois da última presença de um ‘juiz’ luso numa fase final do torneio continental.
O portuense, de 41 anos, integra a lista de 18 árbitros eleitos pela UEFA para a prova que vai decorrer em 11 países, entre 11 de junho e 11 de julho, estreando-se, de resto, numa fase final de um Campeonato da Europa.
Soares Dias sucede a Pedro Proença, atual presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que tinha sido o último ‘juiz’ a representar Portugal num Europeu, em 2012, no qual dirigiu quatro jogos, inclusive a final entre Espanha e Itália, que consagrou os espanhóis como bicampeões europeus.
Além do estreante Soares Dias e de Pedro Proença, a restrita lista de árbitros portugueses que participaram numa competição desta importância inclui os nomes de Vítor Pereira, José Rosa Santos e António Garrido, além de Lucílio Baptista.
A estreia de um árbitro principal português num Europeu ocorreu em 1980, em Roma, quando António Garrido ajuizou o Itália-Bélgica, na fase de grupos, naquele que foi o seu único jogo no torneio.
Oito anos depois, foi a vez de Rosa Santos participar no Euro88, na Alemanha, onde também só arbitrou um encontro, o Inglaterra-União Soviética, igualmente na fase de grupos, sendo o único ‘juiz’ luso a participar em duas fases finais, já que esteve no Euro92, que decorreu na Suécia, para apitar o encontro entre a seleção anfitriã e a Inglaterra.
Só no Euro2000, co-organizado por Bélgica e Países Baixos, é que Portugal voltou a ter representação na elite europeia da arbitragem, com Vítor Pereira a dirigir dois jogos da fase de grupos, além do Itália-Roménia, dos quartos de final.
No Euro2004, foi a vez de Lucílio Baptista inscrever o seu nome na história do futebol português em europeus, com dois encontros na fase de grupos (Suíça-Croácia e Bulgária-Dinamarca).
O Euro2020, que foi adiado para este ano devido à pandemia de covid-19, realiza-se em 11 cidades de 11 países diferentes, entre 11 de junho e 11 de julho.
A primeira mulher entre 12 estreias, seis repetentes
O ‘plantel’ de árbitros escalados pela UEFA para a fase final do Euro2020 de futebol apresenta 12 estreantes, entre os quais o português Artur Soares Dias, e apenas seis repetentes da última edição do torneio continental.
Entre os 18 ‘juízes’ designados, destacam-se o turco Cuneyt Çakir e o holandês Bjorn Kuipers, os únicos que estiveram presentes nos dois últimos europeus, de 2012 e 2016, e aos quais se juntam o alemão Félix Brych, o francês Clément Turpin, o romeno Ovidiu Hategan e o russo Sergei Karasev, que apitaram jogos Na competição de há cinco anos.
Cuneyt Çakir, de 44 anos, é o que mais jogos contabiliza em campeonatos da Europa (seis), três em cada uma das duas edições anteriores, sendo que em ambas dirigiu partidas da seleção portuguesa.
No Euro2012, coorganizado por Polónia e Ucrânia, arbitrou o Portugal-Espanha, das meias-finais, e, quatro anos mais tarde, dirigiu a estreia lusa, diante da Islândia, na prova disputada em França.
O árbitro que apitou a final da Liga dos Campeões de 2015 dirigiu somente 12 encontros esta temporada, entre os quais o Benfica-Arsenal (1-1), da primeira mão dos 16 avos de final da Liga Europa.
Já Bjorn Kuipers, o mais velho dos ‘juízes’ principais, com 48 anos, e internacional desde 2006, apresenta no currículo cinco partidas em europeus, duas no Euro2012 e três no Euro2016, sendo que na presente época arbitrou 34 jogos.
Entre as mais de três dezenas de encontros, constam três com equipas lusas, o FC Porto-Manchester City (0-0) e o Juventus-FC Porto (3-2), ambos da Liga dos Campeões, e o Arsenal-Benfica (3-2), da Liga Europa.
Contudo, o mais experimentado dos ‘juízes’ presentes no Euro2020 é o alemão Félix Brych, de 45 anos, que conta com mais de 500 encontros dirigidos na carreira, três dos quais no Euro2016, como o Polónia-Portugal, dos quartos de final, que a equipa das ‘quinas’ venceu no desempate por grandes penalidades.
Com dois jogos dirigidos no último Europeu surgem o francês Clément Turpin, de 38 anos, que esteve na final da Liga Europa deste ano, o romeno Ovidiu Hategan, de 40 anos, que em dezembro viu o ‘seu’ quarto árbitro ser acusado de racismo durante o PSG-Basaksehir, e o russo Sergei Karasaev, de 41 anos, ‘juiz’ do polémico Schalke-Sporting, da Liga dos Campeões 2014/15.
O Euro2020 vai proporcionar ainda a estreia a uma dúzia de árbitros principais, entre os quais o português Artur Soares Dias. Os restantes estreantes são os ingleses Michael Oliver e Anthony Taylor, o alemão Daniel Siebert, o italiano Daniele Orsato, o holandês Danny Makkelie, o romeno Istvan Kovacs, o esloveno Slavko Vincic, os espanhóis Carlos del Cerro Grande e Antonio Mateu Lahoz (árbitro da final da Liga dos Campeões), o sueco Andreas Ekberg, o mais jovem do ‘plantel’, e o israelita Orel Grinfeeld.
Além destes 18 árbitros europeus, foi ainda designado um 19.º elemento, o argentino Fernando Rapallini, no âmbito de um protocolo de intercâmbio entre a UEFA e a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL).
No entanto, as ‘novidades’ não se ficam por aqui, já que a francesa Stéphanie Frappart foi escolhida para integrar o lote de árbitros do Euro2020, tornando-se na primeira mulher a marcar presença num Campeonato da Europa, no qual vai desempenhar a função de quarto árbitro.
Em dezembro de 2020, a gaulesa, de 37 anos, já se tinha tornado na primeira árbitra a dirigir um jogo da Liga dos Campeões, entre a Juventus e o Dinamo de Kiev (3-0), e em março deste ano voltou a fazer história, ao ser a primeira mulher a arbitrar um jogo de qualificação para um Campeonato do Mundo, na partida que opôs os Países Baixos à Letónia (2-0).