Apito Dourado – Ex-árbitro de primeira categoria condenado




Dois árbitros de futebol aceitaram beneficiar o Sport Progresso em jogos do campeonato distrital do Porto em troca de leitores de DVD e um televisor. Os factos foram apurados durante o Apito Dourado e acabaram, ontem, em condenações por corrupção desportiva.

O principal arguido foi Pedro Sanhudo, ex-árbitro de primeira categoria e ex-presidente do Núcleo de Árbitros do Baixo Tâmega, no Marco de Canaveses.
A necessidade de equipar este centro de agregação de juízes de futebol terá sido a razão pela qual foram pedidos a António Soares Almeida, dirigente do Progresso, electrodomésticos, num contexto de, em contrapartida, ser favorecido nas arbitragens de dois jogos com o Canidelo, de Gaia, a 26 de Outubro de 2003 e a 22 de Fevereiro de 2004 – jogos integrados na investigação Apito Dourado.
Protagonista do “benefício” relativamente à primeira partida, segundo ficou provado após julgamento no Tribunal de Gondomar, foi o árbitro Bruno Ribeiro, com quem Sanhudo falou ao telefone, e estava a par das ofertas para o núcleo. Este indivíduo foi classificado pelos juízes como “pupilo” do presidente do núcleo.
Porém, no jogo, o Progresso acabou por não sair beneficiado, tendo um dos seus jogadores sido  expulso com um cartão vermelho. Mesmo assim, o dirigente do clube portuense almoçou com Pedro Sanhudo após a partida e entregou-lhe os aparelhos de DVD anteriormente prometidos.  
Todos estes acontecimentos foram dados como provados mediante o conteúdo de escutas telefónicas e o produto de apreensões em buscas da Polícia Judiciária. Entre outras escutas, foi valorada uma em que Pedro Sanhudo disse que, na dúvida, beneficia os amigos.
Três arguidos acabaram condenados a penas de multa de 600 euros (António Soares Almeida),  1350 euros (Pedro Sanhudo) e 1260 euros (Bruno Ribeiro). Joaquim Alexandre Freitas e Ricardo Pinto, dois outros arguidos e também árbitros de futebol intervenientes nos jogos sob suspeita, acabaram absolvidos. O tribunal entendeu não haver prova de que estivessem a par do “negócio”  estabelecido por Pedro Sanhudo.

Fonte: JN