Autor

Jorge Faustino

Data: 13/02/2019

“No more excuses?”

É com a expressão “no more excuses” (acabaram-se as desculpas) que o recentemente reeleito presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, fala da introdução do vídeo-árbitro na fase a eliminar da Liga dos Campeões. Com esta declaração, o dirigente máximo do futebol europeu demonstra um profundo desconhecimento e falta de acompanhamento do que vai acontecendo nas diversas ligas europeias que já dispõem do VAR. Em Portugal, por exemplo, todas as semanas vemos treinadores, dirigentes, comentadores e adeptos com ‘excuses’ à volta das decisões e não decisões dos vídeo-árbitros. Aliás, hoje em dia já não se discute arbitragem ou qualidade dos árbitros. Discute-se videoarbitragem, nomeações, qualidade e perfis de VAR. É o novo futebol.

Quando me referi ao desconhecimento que o presidente da UEFA tem sobre as ligas com VAR estava, naturalmente, a ser irónico. Ceferin tem de ter este tipo de discurso em defesa de uma ferramenta que, sejamos justos, trouxe mais verdade desportiva ao futebol, mas que não acabou, como nunca nada acabará, com as discussões à volta das decisões de arbitragem.

O Feirense-Sporting tinha, aos 31 minutos, cinco lances que suscitam discussão sobre intervenção de VAR. Apesar de o protocolo afirmar que apenas em erros claros e óbvios é que o VAR deve intervir, já vimos situações semelhantes no nosso campeonato em que houve intervenção do VAR. Três faltas (aos 2’, Marco Soares sobre Bruno Fernandes; aos 6’, Vítor Bruno sobre Diaby; e aos 31’ novamente Vítor Bruno, agora sobre Bas Dost) em que um critério mais apertado poderia levar a entendimento de que eram faltas grosseiras ou violentas e dois lances nas áreas (possível penálti por sancionar sobre Bas Dost aos 11’ e, aos 25’, golo anulado ao Feirense por obstrução de Marco Soares a Renan) são exemplos de que o VAR ainda tem um longo caminho para percorrer. O protocolo ainda terá de evoluir e os critérios de intervenção terão de estar em permanente ‘afinação’.

Mas não acredito que alguma vez voltemos ao passado. O VAR, com as suas virtudes e com as suas limitações, veio para ficar. Em Portugal, na Europa e no futebol mundial. Para conhecimento do leitor, o Comité Executivo da UEFA, entidade mais reticente quanto à utilização da videoarbitragem, aprovou já a utilização do VAR na final da Liga Europa de 2019, na final four da Liga das Nações e no Euro’2019 de sub-21. Também já aprovada está a utilização na fase a eliminar da Champions e na Supertaça Europeia de 2019. A UEFA pretende ainda alargar a utilização do VAR à fase final do Euro’2020, à Liga Europa de 2020/21 (a partir da fase de grupos) e à final four da Liga das Nações de 2021.

 

Artigo de opinião publicado no Jornal Record em 13 de Fevereiro de 2019