Autor

Luciano Gonçalves

Data: 18/06/2022

Cartão Rosa

Algures num estádio português realizou-se mais uma taça distrital que, a espaços, foi transmitida no Canal 11. Jogo emocionante decidido através da pontapés da marca de penálti. No fim foi possível ver os vencedores a festejar, ao mesmo tempo que alguns vencidos descarregavam as suas frustrações na equipa de arbitragem… Nada de novo.

Momentos depois, finda a transmissão, o espetáculo continuou. A equipa de arbitragem teve dificuldades em sair do estádio. Na localidade da equipa vencida, que também é local de residência do árbitro, tudo deixou de fazer sentido. Por causa de uma decisão, colocou-se em causa a vida privada, profissional e desportiva do responsável de tamanha infelicidade coletiva: o árbitro.

Surpreendentemente, a causa de todos os males é um ser maravilhoso que dedicou 28 dos seus 45 anos à causa da arbitragem. De forma apaixonada, destinou parte da sua vida na direção de jogos e, por conseguinte, na formação de muitos que agora a criticam. Foi assim que se assumiu como um exemplo na luta pela igualdade de género. Nunca dependeu financeiramente da arbitragem nem precisou desta para se afirmar socialmente, mas a ingratidão não tem limites.

À Célia Santos, e a todas as Célias deste país, o nosso muito bem-haja e obrigado pelo que têm dado ao desporto em geral.

Fonte: Record