Autor

Duarte Gomes

Data: 23/01/2021

Cartão amarelo ou vermelho? Nenhum dos dois. Hoje é sobre o cartão branco!

Hoje vou falar-vos de um dos lados bons do futebol português (e o futebol português também tem facetas muito positivas, que merecem ser valorizadas): o “Cartão Branco”.

O cartão branco, ao contrário do vermelho ou do amarelo, não pune nem sanciona. O cartão branco premeia.

Premeia condutas e comportamentos. Premeia gestos e exemplos. Premeia posturas. Posturas que devem ser elogiadas, aplaudidas, repetidas.
Posturas protagonizadas por jogadores, treinadores, responsáveis ou adeptos.

E porque é importante dar corpo e rosto ao que é bom – e isto, acreditem, é muito bom – importa salientar que a iniciativa foi lançada pelo Plano Nacional de Ética Desportiva (PNED), pelas mãos do seu coordenador e maior dinamizador, José Lima.

Desse lado, poderão perguntar-me: “Qual a necessidade de criar um cartão que nunca esteve previsto nas leis de jogo?”

Bem, a dada altura, percebeu-se que alguns valores do desporto estavam a caminhar para um buraco sem fundo. Os atos de indisciplina aumentavam perigosamente dentro e fora do terreno de jogo. As palavras incendiárias e os comportamentos violentos também.

Isso levou à necessidade de se fazer alguma coisa. À necessidade de se tomarem medidas simples mas impactantes. Medidas que fossem diferenciadoras e que de algum modo promovessem uma cultura desportiva com mais ética, lealdade e respeito. Mais se pensou, melhor se fez.

Passado este tempo, o cartão branco está mais do que consolidado e respira saúde. À iniciativa já aderiram entretanto várias dezenas de entidades desportivas, que permitem e incentivam o seu uso na esmagadora maioria das suas competições.

Estamos a falar de associações de futebol, coletividades e federações desportivas.

A Federação Portuguesa de Futebol há muito que se juntou a esta vasta equipa, estreando o modelo no Torneio Lopes da Silva, em 2016.

Os números entretanto recolhidos são promissores. Revelam que jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos aplaudem e apoiam a ideia.

E revelam algo ainda mais importante: que nas competições onde existe o cartão branco, a indisciplina decresceu vertiginosamente. No futebol, por exemplo, há menos amarelos e vermelhos exibidos, menos suspensões disciplinares, menos problemas com o público e entre o público (cenário pré-covid).

O “Cartão Branco” é a prova provada que pequenos gestos podem fazer grandes diferenças.

Nos dias que correm, ficar de fora disto já não faz sentido. Fica o repto a todas as entidades/associações desportivas que ainda não o fizeram, para que adiram a esta iniciativa. E fica também o desafio para que cada um de nós, individualmente, possa ser merecedor de ver o mais bonito dos cartões em todos os momentos das nossas vidas.

Fonte: SIC Notícias