Autor

Jorge Faustino

Data: 03/09/2019

Até ao próximo penálti…

Após 4 jornadas, os campeonatos profissionais fazem uma paragem para jogos das seleções. Momento para os diversos agentes do futebol português fazerem um primeiro balanço deste arranque de campeonato.

A estrutura da arbitragem e os seus ativos (os árbitros) não deixarão, seguramente, de aproveitar para fazer esse balanço. A meu ver, este arranque de época foi, ou está a ser, dos mais felizes dos últimos anos para a arbitragem. Mérito de muitos. Muitos dos quais nem estão em nada relacionados com a arbitragem.

A maior parte dos dirigentes, treinadores e jogadores têm tido uma postura bastante correta na forma como têm gerido as suas derrotas. Diria até que tem sido surpreendente como, nalguns casos, têm sabido gerir emocionalmente e comunicacionalmente os erros de arbitragem que prejudicaram as suas equipas. Claro está que há quem nunca mude, quem, com ou sem razão, se escude na arbitragem para justificar derrotas, mas essas exceções começam a servir para confirmar a regra.

A comunicação social, e aqui temos de enquadrar e destacar o Canal 11 da FPF, também tem tido um papel importante neste “calmo” arranque de temporada. Olhar para o nosso futebol pela positiva, valorizando os atletas e a qualidade do jogo é uma das formas, talvez a mais importante, de dar tranquilidade à arbitragem. E não duvidem, essa tranquilidade fundamental para o sucesso desportivo dos árbitros, entenda-se, boas arbitragens.

A estrutura que envolve os árbitros: dirigentes e técnicos de arbitragem, também se pode orgulhar do trabalho que está a ser feito. Por exemplo o projeto videoárbitro, que já não é projeto mas sim uma realidade incontornável e indispensável do futebol moderno, está numa fase de estabilização e tem sido muito importante na defesa da verdade desportiva.

Mas são os árbitros os principais obreiros desta paz em volta da arbitragem. Foram as suas boas decisões que permitem, à quarta jornada, que os fazedores de ruído ainda não tenham tido grandes hipóteses de ter palco junto dos adeptos. Os nossos árbitros têm errado. Vão continuar a fazê-lo. É inevitável. Mas têm errado menos e, principalmente, têm errado pouco ou quase nada em lance cruciais das partidas.

Perigos a esta paz? Alguns e fáceis de identificar:

As derrotas poderão começar a modificar os, até agora, bons comportamentos de dirigentes, treinadores e jogadores. Saibam estes continuar a gerir as vitórias e as derrotas com a elevação que o futebol e os adeptos merecem.

A falta de conteúdos poderá fazer com que alguma comunicação social comece, pela negativa, a forçar e a criar histórias que acreditam lhes dará audiências. Esperemos que toda a comunicação social possa ter acesso aos verdadeiros artistas e às boas estórias.

A estrutura que gere e que deve proteger os árbitros tem de ser capaz de continuar a fazê-lo sempre. Pressões de clubes, eleições ou outros fatores externos, não podem ser causa de distração dos dirigentes de arbitragem nesta proteção que tem de ser feita aos árbitros.

E os árbitros, esses precisam de manter o nível exibicional e de… alguma sorte. Na arbitragem costumamos dizer que no mundo do futebol está tudo bem até ao próximo penálti por assinalar… que esse penálti não surja.

 

Artigo de opinião publicado no jornal Record de 03 de setembro de 2019

Fonte: Record