Xistra lamenta “geração PlayStation” e “declarações que não passam da flash”

“Do presidente ao adepto o que interessa é ganhar”, diz Carlos Xistra
Vários treinadores e jogadores têm deixado queixas em relação ao tempo útil de jogo nas partidas de futebol em Portugal e Carlos Xistra, antigo árbitro, diz que as coisas não passam das declarações e intenções pois “o ponto está caro”.

Questionado sobre o tempo útil de jogo na I Liga, em conferência de imprensa, no Seixal, Jorge Jesus apelou a que se discuta, sobretudo entre “árbitros e treinadores em particular”, problemas como o antijogo.

Sérgio Conceição e o bracarense André Horta há não muito tempo também mencionaram esta questão, pedindo uma reflexão e uma análise para que o futebol luso se possa potenciar.

Para Carlos Xistra, quem assim fala “tem razão” só que o problema é que “as declarações não passam das flashs e das conferências antes e depois dos jogos”.

O antigo árbitro salientou que os clubes e as suas sociedades desportivas procuram “o sucesso e o sucesso chega com os lucros e os lucros com os pontos” que se alcançam nos jogos.

“Infelizmente, em Portugal, desde o adepto ao presidente o que interessa é ganhar não é jogar bem”, salientou Carlos Xistra, recusando a ideia de que os árbitros portugueses apitem ‘melhor’ no estrangeiro do que nas provas domésticas.

“Há um menor número de faltas, os jogos são menos difíceis, os jogadores querem a bola a rolar mais”, referiu, lamentando que em Portugal se recorra à prática do antijogo para reduzir o tempo útil de cada partida.

Em declarações na A Bola TV, Carlos Xistra insistiu que o “ponto leva ao sucesso e ao lucro” e essa realidade acaba por condicionar a estratégia das equipas no futebol nacional.

“O problema está diagnosticado mas não passam das palavras aos atos”, criticou Xistra, não concordando também que esta geração de árbitros seja pior que a anterior.

Xistra diz que quer ao nível de árbitros quer de jogadores o campeonato tem a “geração PlayStation” onde os agentes passaram a infância na frente do televisor a jogar e não na rua a praticar as tradicionais ‘peladinhas’.

“Na minha altura tínhamos conflitos na rua e tínhamos de aprender a resolver as coisas entre nós. Agora, os clubes têm academias para os jogadores treinarem aquilo que não fazem no futebol de rua. Os árbitros não”, lamentou, dizendo que essa bagagem era fundamental para “mediar os conflitos”.

Fonte: Bancada