Braga prometeu não falar de arbitragem por um ano mas na 1ª jornada, falou.

O SC Braga lançou, esta terça-feira, a sua newsletter oficial. E logo na primeira edição, falou da arbitragem. Em causa as duas grandes penalidades sofridas na derrota frente ao FC Porto por 3-1, na primeira jornada da Liga 2020/21. Os minhotos questionaram a decisão do árbitro João Pinheiro em assinalar grande penalidade no lance que deu o 2-1 aos ‘dragões’ antes do intervalo e perguntam se o mesmo seria assinalado se fosse contra o FC Porto.

“O SC Braga não foi feliz frente ao FC Porto. A bomba de Castro (21’) colocou-nos na frente do marcador, mas numa altura em que os dois treinadores já pensavam no que iam dizer às respetivas equipas no intervalo, eis que surgem dois golos de rajada por parte do nosso adversário. O penálti assinalado por alegada falta de Raúl Silva (45’+3) sobre Marega levanta várias dúvidas: será que a mesma falta teria sido assinalada no meio-campo? E se as cores das camisolas fossem outras? Ou a área fosse a contrária? Pois… nunca saberemos, não é? O que é uma pena, diga-se”, pode-se ler na ‘Voz da Legião’, a newsletter do SC Braga.

“Parece um lugar comum, mas este foi um jogo amplamente decidido nos detalhes: no fora de jogo arrancado a ferros a Abel Ruiz (8 centímetros) e no bocado de relva no qual a bola ‘saltitou’ antes do remate de Ricardo Horta (48’). Pormenores que acabaram por definir o vencedor e que jogaram, invariavelmente, contra nós”, continuam os minhotos.

Esta decisão de falar da arbitragem contraria o que tinha sido defendido por António Salvador. No dia 09 de março de 2020, pouco antes da interrupção da época por causa da pandemia de COVID-19, o presidente do SC Braga lançou um desafio aos outros clubes: não falar da arbitragem durante um ano.

“Eu acho que aquilo que se tem visto é preocupante. Acho que as coisas continuam a entrar por um caminho tal, que não sabemos onde é que isto vai chegar. Quanto mais se falar da arbitragem, pior será. As pessoas ficam mais intranquilas, os clubes ficam mais nervosos, não sei onde é que isto vai parar”, começou por explicar Salvador aos jornalistas, à margem da apresentação do programa do centenário do clube.

“Tenho uma ideia para o futuro: provavelmente o Braga será o primeiro clube a assumir isso publicamente, que irá, durante a próxima época, proibir jogadores, treinadores, colaboradores, dirigentes e presidentes – independentemente dos erros que se vierem a cometer -, de falarem sobre arbitragem. E irei até propor isso no regulamento interno do clube, para que seja analisado se alguém furar essa regra. Gostava que todos os clubes em Portugal dessem pelo menos um ano para que isso acontecesse, para perceber se os árbitros iriam ou não ter mais tranquilidade”, pediu, na altura, o líder arsenalista, assumindo depois que iria implementar a medida, com efeito imediato, no clube.

“É algo que vou propor e vamos certamente fazer. Gostava que todos os clubes fizessem um pacto sobre a arbitragem, independentemente de errar contra um clube ou beneficiar outro. Que dessem um ano de tréguas à arbitragem. O que eu peço é que os clubes que não têm comentadores nas televisões façam essas tréguas. Fica já aqui o compromisso de honra do Braga e do seu presidente: isso, dentro deste clube, vai acontecer”, garantiu em março.

Mas a 01 de julho, o SC Braga, em comunicado, quebrou o compromisso e teceu duras críticas a arbitragem e um pedido de demissão a Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

“Quando o SC Braga impôs aos seus dirigentes, treinadores e jogadores um pacto de silêncio sobre a arbitragem, estendendo convite aos demais Clubes e entidades nacionais, fê-lo por considerar importante que se esclarecesse se a ausência de ruído em torno do sector resultaria em melhores arbitragens e, por consequência, em resultados mais justos e em classificações mais condizentes com o valor desportivo demonstrado pelas equipas”, começou por escrever.

“A teoria de que o erro é potenciado pelo alvoroço que se cria em torno dos árbitros seria facilmente analisável ao longo destas jornadas e ainda mais no tempo que vivemos, sem qualquer pressão adicional das bancadas e com ferramentas tecnológicas que tornam as falhas inaceitáveis. Ou seja, se num contexto quase laboratorial os erros persistem, então a conclusão a retirar só pode ser uma: o quadro de árbitros é fraco e o Conselho de Arbitragem é conivente com esta falência, permitindo que de forma reiterada se adulterem resultados e classificações”, atirou o presidente dos arsenalistas.

Na altura os ‘arsenalistas’ queixavam-se de ser “a equipa mais prejudicada” do campeonato” 2019/20, e consideravam que o Sporting, que competia “diretamente com o Sporting de Braga por um lugar na tabela”, era o “mais beneficiado”. O Sporting era terceiro mas perdeu esse lugar para o SC Braga que terminou no último lugar do pódio, atrás de Benfica e FC Porto.

A primeira crítica após o pedido para não se falar de arbitragens aconteceu depois do jogo entre o Rio Ave e o SC Braga, da época passada. Na altura, o SC Braga considerou, em comunicado, ser “de bradar a não expulsão de Aderlan Santos, aos 60 minutos (inclusive após Nuno Almeida ser alertado pelo VAR), mas também o penálti e a expulsão de Rolando, já em descontos, por intervenção faltosa que não se descortina”.

Fonte: Sapo Desporto

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