Árbitro elite de futebol de praia prepara a retirada

António Almeida, árbitro natural de Baião, prepara-se para pendurar o apito, após uma carreira brilhante no futebol de praia, onde dirigiu algumas grandes finais, não indo mais além devido ao enorme sucesso da Seleção Nacional de Portugal e do Sporting Clube de Braga.

«Só me falta a final do campeonato do Mundo. Tenho no meu currículo as finais do campeonato da Europa, dos Jogos do Mediterrâneo, dos Jogos Olímpicos Europeus, da Euro Winners Cup e a final da Intercontinental», enaltecendo o ano de 2015 em que dirigiu três finais.

«Trabalhamos sempre para estarmos preparados para dirigir as grandes finais, mas dependemos das performances da seleção de Portugal bem como dos clubes portugueses», afirmou António Almeida, que garantiu trocar «todas as finais pelo sucesso das nossas equipas e seleção, como foi o caso do Mundial de 2015, em que tinha grandes chances para dirigir a final, mas como a nossa seleção esteve presente na mesma, acabei por não a poder fazer. Em todas as finais em que equipas nacionais não marcaram presença, Portugal esteve por mim representado.»

Quando confrontado sobre o final da carreira e como gostava de a encerrar, foi perentório na resposta: «Temos Almeida mais um ano. Adorava terminar a minha carreira internacional numa grande competição, que será o campeonato do Mundo na Rússia, não escondendo que será também a última época no futsal.

Preparação para grandes competições é rigorosa

Contrariamente às equipas, a preparação de um árbitro muitas vezes é feita de forma solitária, tornando a mesma penosa e exigindo um esforço físico e mental muito grande.

António Almeida relembrou que treinou muitas vezes sozinho, no Porto. «Nos dias em que trabalho de manhã, treino à tarde e quando trabalho de tarde treino de manhã. Lembro-me da preparação que fiz para o Mundial 2015, em que saía de casa entre as 4h30 e as 5h para ir treinar à praia de Matosinhos, por forma a estar bem física e mentalmente durante a competição.

Agente da Polícia de Segurança Pública de profissão, António Almeida depende ainda da “ginástica” que tem que fazer com os horários laborais, para poder manter uma excelente condição física que explana, tanto nos areais como nas quadras.

Suporte familiar é fundamental

Árbitro internacional de futebol de praia desde 2013, António Almeida salienta a importância da família na sua carreira.

«O suporte familiar é a base de tudo! A minha esposa tem um grande sobrecarga, principalmente quando venho para competições internacionais. Para além de ter que cuidar dos nossos dois filhos, há muito mais para fazer. Felizmente a minha mãe e a minha sogra ajudam-na e em conjunto garantem-me tranquilidade, porque tenho garantido total suporte», disse.

«Sem o apoio da minha família, não era possível ter esta carreira, que me proporcionou muitos êxitos, mas também feita de muitos sacrifícios. Eu tenho uma santa em casa, porque muitas vezes vou treinar às 6 da manhã, outras vezes às 20 horas e quando regresso a casa, nem sequer consigo jantar com eles. Custa-me imenso, mas só trabalhando muito e forte é que se consegue atingir certos objetivos», referiu.

«Senti a minha carreira terminar sem a devida despedida»

«Em Março, quando dirigi o Eléctrico vs Portimonense para a Taça de Portugal de futsal pensei que tivesse sido um dos meus últimos jogos, mas a nível internacional, no que diz respeito ao futebol de praia, cheguei a pensar que a final da Intercontinental no Dubai tivesse sido mesmo o meu último jogo», afirmou António Almeida, que enalteceu o esforço efetuado pelo autarca da Nazaré, Walter Chicharro.

«Graças a Deus, o presidente do município da Nazaré, o amigo Walter Chicharro, consegue ter uma enorme dinâmica e em parceria com a Beach Soccer WorldWide, a DGS e o próprio governo levou avante estas enormes competições», referiu.

«Uma palavra de apreço ao Walter Chicharro, por ter conseguido congregar esforços e acolher estas duas competições internacionais (Superfinal Europeia e Euro Winners Cup), bem como todas as etapas da divisão de elite e fases finais da elite e do nacional. Sem ele, seria muito difícil haver competições de futebol de praia», lembrando ainda que «em termos de organização, a nível mundial somos dos melhores».

«Em diversas competições onde estive presente, nenhuma organização bate as portuguesas, bem pelo contrário… para além da nossa capacidade organizativa, a forma como nos entregamos ao trabalho é única em todo o Mundo», admitiu.

Segunda vaga do Covid-19 está à porta?

Polícia de profissão, António Almeida foi obrigado a enfrentar uma nova realidade e quando confrontado com o que ainda está para vir, foi perentório!

«Tenho fé que uma segunda vaga seja controlada e não haja um fecho do país como aconteceu em março e abril, que foi duro. Quero acreditar que as competições vão voltar, principalmente na formação, visto que as mesma são extremamente importantes para os nossos jovens. Com muito controle e cumprindo os protocolos, tudo se consegue e a prova está dada com estas competições na Nazaré, onde tudo é levado à risca. Se as pessoas cumprirem as regras e se respeitarem, certamente podemos voltar a uma relativa normalidade», afirmou.

«A amizade é o que melhor levo da arbitragem!»

Ser humano íntegro e de enorme coração, António Almeida não conseguiu esconder que as boas amizades feitas ao longo de tantos anos de arbitragem, foram o melhor que colheu na mesma!

«No futsal não temos a mesma abertura com treinadores e atletas como temos no futebol de praia. Aqui há uma sã convivência. Nem sempre acertamos nas decisões, infelizmente, mas eles também falham! O espírito do futebol de praia é o que eu mais amo, esta amizade, o intercâmbio e o respeito entre todos. Desde grandes árbitros a instrutores, passando por alguns dos melhores atletas e treinadores do Mundo que considero amigos, até ao fotógrafo, o trato é único! Há um respeito mútuo, que me enche de orgulho e me toca o coração, visto que todos eles o fazem sem segundas intenções», concluiu.

Fonte: Zerozero.pt

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